2.6.06

 

Os Demagogos

Se alguma coisa ficou clara na cena política nas últimas semanas foi a impressionante similaridade entre o governador de São Paulo, Cláudio Lembo, e o presidente Lula. Guardadas as suas evidentes diferenças, duas coisas os dois políticos mostraram ter em comum: o absoluto despreparo para ocupar os cargos que ocupam e o gosto pela demagogia baixa e rasteira quando a situação demanda clareza e decisividade.

O governador Lembo, numa mostra clara de falta de entendimento da realidade, diz que o problema da violência criminosa em São Paulo é uma „odiosa elite branca“ que, segundo ele, recusaria-se a partilhar um pouco dos seus recursos para mitigar a miséria e que por isso seria responsável pela criminalidade. Na mesma toada, o presidente Lula diz que prefere investir em escolas do que em presídios, estabelecendo uma dicotomia entre segurança e educação. Ambos estão errados, e pela importância dos cargos que ocupam e os deveres constitucionais de que estão investidos, não têm o direito de errar sobre temas tão sérios.

O caso de Lembo é mais grave, porque ele não é de um partido de esquerda e tampouco é um despreparado intelectual como Lula. Mas é no exato discurso da clivagem entre ricos e pobres que tanto faz o gosto da esquerda retrógrada que o governador tenta isentar-se da sua responsabilidade (e irresponsabilidade) no episódio dos ataques terroristas do PCC. Diante da ascenção de uma organização de origem criminosa mas com uma óbvia agenda política, que usa do terror para obter concessões do poder público e com isso erodir ainda mais a autoridade do Estado, Lembo prefere retomar o discurso míope de que a desigualdade social é causa da violência, e de que bastaria redistribuir as riquezas para sanar a questão. Lembo vai além, para o delírio dos orfãos de Che Guevarra, ao compor o problema como racial, qualificando a “elite” que supostamente não quer abrir mão do seu conforto para atenuar o sofrimento dos pobres como “branca”. O fato mesmo de que Lembo facilmente pode ser classifiacado como membro dessa “elite branca” dá uma falsa credibilidade às palavras do governador.

O problema é que as palavras do governador não contém a mais tênue relação com a realidade. São pura e simples demagogia, o débil refúgio retórico de um homem público incapaz de crescer diante do desafio que as circunstâncias lhe impuseram e ocupar o papel de líder de que os paulistas precisavam. São a prova de que Lembo é não apenas despreparado para o cargo que ocupa, como é também intelectualmente desonesto e politicamente covarde.

Dar razão ao governador Lembo significa aceitar, de alguma forma, um raciocínio cuja conclusão inevitável é tão chocante quanto falsa: a de que todo pobre é, por definição, um criminoso em potencial, apto a recorrer à violência e tomar dos outros aquilo que não tem assim que a oportunidade apareça. O simples fato de que a esmagadora maioria dos pobres brasileiros sobrevive de forma honesta (mesmo que seja trabalhando no mercado informal, recebendo as variadas ajudas do Estado ou até mesmo recorrendo à mendicância) é sinal de que esse raciocínio, além de monstruoso e ofensivo ao bom-senso, não espelha a realidade.

Se a violência tivesse sua causa fundamental na desigualdade, logicamente a tendência do crime seria voltar-se contra os ricos. No entanto, não é o que acontece: as áreas mais violentas são justamente as mais pobres. As grandes vítimas do crime, da violência e do terror são justamente os que menos tem. O governador Lembo não pode reconhecer essa realidade, porque ela levaria a uma outra constatação desagradável: coincidentemente, as áreas mais pobres são justamente aquelas onde a presença do Estado e o Império da Lei são mais fracos. É nas favelas em que a polícia não entra, onde não há escolas, saneamento básico, postos de saúde, registros de imóveis, creches, bibliotecas, enfim, onde a imensa variedade de serviços prestados pelo Estado ou pela iniciativa privada não existe, que o crime impera. A ausência da autoridade estatal permite ao crime ocupar o vácuo de poder, perpetuando a violência e a miséria. O Estado brasileiro, paquidérmico na hora de intrometer-se em temas que não lhe dizem respeito e voraz na hora de cobrar impostos, é raquítico para cumprir sua missão fundamental de defender a população da violência e incompetente em garantir que a autoridade da lei se extenda sobre todo o território nacional. Nossos governos são rápidos e rigorosos em proibir bares de cobrar consumação, transformar fumantes em párias, impor cotas racistas nas universidades, criar bolsa-isso e bolsa-aquilo, e patrocinar operações policiais pirotécnicas para prender donas de lojas de luxo, mas é incapaz de impedir criminosos condenados de coordenarem as atividades de suas gangues de dentro das cadeias por meio de celulares, oferecer padrões mínimos de segurança, saúde e educação aos pobres (embora eles paguem impostos que deveriam financiar esses serviços), ou garantir que todo boletim de ocorrência aberto em uma delegacia resulte pelo menos em uma investigação básica.

Se a desigualdade desempenha algum papel na proliferação do crime, o governador Lembo faz de conta que não é um dos responsáveis por gerir parte da maior máquina de concentração de renda que existe neste país: o governo, que tira mais dos pobres com um sistema regressivo de impostos e dá aos não-pobres na forma de gordas aposentadorias ao funcionalismo público, subsídios e benesses estatais a grupos de interesses especiais privados, e um sistema de políticas compensatórias que atende a objetivos politiqueiros e eleitorais. Se a “elite branca” a que o governador se refere existe, a máquina estatal que ele comanda é uma das principais fontes da sua riqueza e causa da miséria das massas. Mas reconhecer isso exigiria do governador Lembo uma honestidade intelectual e uma clareza de pensamento que ele obviamente não tem.

Afinal, como podemos esperar que ele assuma abertamente a incompetência crônica do seu governo, dos seus antecessores, e de todos os outros governos, em todos os níveis, no trato da questão da violência? Como esperar que ele admita que vinte anos de aceitação, pelos governantes e pela sociedade civil, de um discurso falacioso que vende a tolerância com o crime como defesa dos direitos humanos, que justifica a violência como uma expressão legítima da “injustiça social”, castrou o Estado e destruiu a sua capacidade de proteger a população? Como esperar realisticamente que o governador Lembo, fraco e hesitante como se mostrou durante as noites de terror que o PCC patrocinou em São Paulo, tivesse agora a coragem de apontar o dedo para os supostos defensores dos direitos humanos, muitos dos quais, durante os anos do regime militar, usaram liberalmente dos exatos terror e violência que agora tentam justificar e relativizar? Como imaginar que ele teria coragem de reconhecer a parcela de culpa que lhe cabe na tragédia que assola este país e parar de acusar genericamente “as elites”, que são e sempre foram o bode expiatório de todos os demagogos, em todos os tempos e lugares, justamente por não terem nome, rosto, ou identidade? Afinal, as elites podem ser quem quer que o demagogo de plantão quiser que elas sejam… ou quem quer que a imaginação popular eleja como bixo-papão.

Quanto ao presidente Lula, comentar as bobagens que ele profere é tedioso ao extremo. É suficiente dizer, porém, que é compreensível a preferência de Lula em investir em escolas e não em presídios: um governo que se mantém no poder por meio do crime não poderia dar prioridade em construir as celas em que seus membros podem um dia ser encarcerados.

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Foi divulgada, ontem, mais uma pesquisa CNI/Ibope para a corrida presidencial. O resultado revelou que apesar de tantas denúncias, a popularida de do presidente Lula continua crescendo. A pesquisa detaca que os índices são tão positivos quanto os do início de seu governo.

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votenulo em 2006, vc ainda acredita em politicos?? melhor acreditar no papai noel. nao seja tonto. vote nulo digite 00 e confirme. http://votenulo2006.blogspot.com/
 
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