2.6.06

 

Os Demagogos

Se alguma coisa ficou clara na cena política nas últimas semanas foi a impressionante similaridade entre o governador de São Paulo, Cláudio Lembo, e o presidente Lula. Guardadas as suas evidentes diferenças, duas coisas os dois políticos mostraram ter em comum: o absoluto despreparo para ocupar os cargos que ocupam e o gosto pela demagogia baixa e rasteira quando a situação demanda clareza e decisividade.

O governador Lembo, numa mostra clara de falta de entendimento da realidade, diz que o problema da violência criminosa em São Paulo é uma „odiosa elite branca“ que, segundo ele, recusaria-se a partilhar um pouco dos seus recursos para mitigar a miséria e que por isso seria responsável pela criminalidade. Na mesma toada, o presidente Lula diz que prefere investir em escolas do que em presídios, estabelecendo uma dicotomia entre segurança e educação. Ambos estão errados, e pela importância dos cargos que ocupam e os deveres constitucionais de que estão investidos, não têm o direito de errar sobre temas tão sérios.

O caso de Lembo é mais grave, porque ele não é de um partido de esquerda e tampouco é um despreparado intelectual como Lula. Mas é no exato discurso da clivagem entre ricos e pobres que tanto faz o gosto da esquerda retrógrada que o governador tenta isentar-se da sua responsabilidade (e irresponsabilidade) no episódio dos ataques terroristas do PCC. Diante da ascenção de uma organização de origem criminosa mas com uma óbvia agenda política, que usa do terror para obter concessões do poder público e com isso erodir ainda mais a autoridade do Estado, Lembo prefere retomar o discurso míope de que a desigualdade social é causa da violência, e de que bastaria redistribuir as riquezas para sanar a questão. Lembo vai além, para o delírio dos orfãos de Che Guevarra, ao compor o problema como racial, qualificando a “elite” que supostamente não quer abrir mão do seu conforto para atenuar o sofrimento dos pobres como “branca”. O fato mesmo de que Lembo facilmente pode ser classifiacado como membro dessa “elite branca” dá uma falsa credibilidade às palavras do governador.

O problema é que as palavras do governador não contém a mais tênue relação com a realidade. São pura e simples demagogia, o débil refúgio retórico de um homem público incapaz de crescer diante do desafio que as circunstâncias lhe impuseram e ocupar o papel de líder de que os paulistas precisavam. São a prova de que Lembo é não apenas despreparado para o cargo que ocupa, como é também intelectualmente desonesto e politicamente covarde.

Dar razão ao governador Lembo significa aceitar, de alguma forma, um raciocínio cuja conclusão inevitável é tão chocante quanto falsa: a de que todo pobre é, por definição, um criminoso em potencial, apto a recorrer à violência e tomar dos outros aquilo que não tem assim que a oportunidade apareça. O simples fato de que a esmagadora maioria dos pobres brasileiros sobrevive de forma honesta (mesmo que seja trabalhando no mercado informal, recebendo as variadas ajudas do Estado ou até mesmo recorrendo à mendicância) é sinal de que esse raciocínio, além de monstruoso e ofensivo ao bom-senso, não espelha a realidade.

Se a violência tivesse sua causa fundamental na desigualdade, logicamente a tendência do crime seria voltar-se contra os ricos. No entanto, não é o que acontece: as áreas mais violentas são justamente as mais pobres. As grandes vítimas do crime, da violência e do terror são justamente os que menos tem. O governador Lembo não pode reconhecer essa realidade, porque ela levaria a uma outra constatação desagradável: coincidentemente, as áreas mais pobres são justamente aquelas onde a presença do Estado e o Império da Lei são mais fracos. É nas favelas em que a polícia não entra, onde não há escolas, saneamento básico, postos de saúde, registros de imóveis, creches, bibliotecas, enfim, onde a imensa variedade de serviços prestados pelo Estado ou pela iniciativa privada não existe, que o crime impera. A ausência da autoridade estatal permite ao crime ocupar o vácuo de poder, perpetuando a violência e a miséria. O Estado brasileiro, paquidérmico na hora de intrometer-se em temas que não lhe dizem respeito e voraz na hora de cobrar impostos, é raquítico para cumprir sua missão fundamental de defender a população da violência e incompetente em garantir que a autoridade da lei se extenda sobre todo o território nacional. Nossos governos são rápidos e rigorosos em proibir bares de cobrar consumação, transformar fumantes em párias, impor cotas racistas nas universidades, criar bolsa-isso e bolsa-aquilo, e patrocinar operações policiais pirotécnicas para prender donas de lojas de luxo, mas é incapaz de impedir criminosos condenados de coordenarem as atividades de suas gangues de dentro das cadeias por meio de celulares, oferecer padrões mínimos de segurança, saúde e educação aos pobres (embora eles paguem impostos que deveriam financiar esses serviços), ou garantir que todo boletim de ocorrência aberto em uma delegacia resulte pelo menos em uma investigação básica.

Se a desigualdade desempenha algum papel na proliferação do crime, o governador Lembo faz de conta que não é um dos responsáveis por gerir parte da maior máquina de concentração de renda que existe neste país: o governo, que tira mais dos pobres com um sistema regressivo de impostos e dá aos não-pobres na forma de gordas aposentadorias ao funcionalismo público, subsídios e benesses estatais a grupos de interesses especiais privados, e um sistema de políticas compensatórias que atende a objetivos politiqueiros e eleitorais. Se a “elite branca” a que o governador se refere existe, a máquina estatal que ele comanda é uma das principais fontes da sua riqueza e causa da miséria das massas. Mas reconhecer isso exigiria do governador Lembo uma honestidade intelectual e uma clareza de pensamento que ele obviamente não tem.

Afinal, como podemos esperar que ele assuma abertamente a incompetência crônica do seu governo, dos seus antecessores, e de todos os outros governos, em todos os níveis, no trato da questão da violência? Como esperar que ele admita que vinte anos de aceitação, pelos governantes e pela sociedade civil, de um discurso falacioso que vende a tolerância com o crime como defesa dos direitos humanos, que justifica a violência como uma expressão legítima da “injustiça social”, castrou o Estado e destruiu a sua capacidade de proteger a população? Como esperar realisticamente que o governador Lembo, fraco e hesitante como se mostrou durante as noites de terror que o PCC patrocinou em São Paulo, tivesse agora a coragem de apontar o dedo para os supostos defensores dos direitos humanos, muitos dos quais, durante os anos do regime militar, usaram liberalmente dos exatos terror e violência que agora tentam justificar e relativizar? Como imaginar que ele teria coragem de reconhecer a parcela de culpa que lhe cabe na tragédia que assola este país e parar de acusar genericamente “as elites”, que são e sempre foram o bode expiatório de todos os demagogos, em todos os tempos e lugares, justamente por não terem nome, rosto, ou identidade? Afinal, as elites podem ser quem quer que o demagogo de plantão quiser que elas sejam… ou quem quer que a imaginação popular eleja como bixo-papão.

Quanto ao presidente Lula, comentar as bobagens que ele profere é tedioso ao extremo. É suficiente dizer, porém, que é compreensível a preferência de Lula em investir em escolas e não em presídios: um governo que se mantém no poder por meio do crime não poderia dar prioridade em construir as celas em que seus membros podem um dia ser encarcerados.

16.5.06

 

Reino do Terror

No momento em que escrevo este texto São Paulo, cidade onde moro e onde vivi a maior parte da minha vida, está sob sítio do PCC. Mais chocante do que as imagens de ônibus incendiados, viaturas de polícia metralhadas, e as notícias de mais de oitenta mortos e rebeliões em dezenas de presídios, porém, é perceber que a imensa maioria das pessoas, e a quase totalidade da imprensa, não consegue entender a natureza e a gravidade do momento por que passamos.

A imprensa, incapaz de ir além do óbvio ululante, replica a mentira de que o PCC seria uma organização criminosa e que os ataques desferidos contra as forças de segurança paulistas seriam uma resposta à transferência de líderes da organização para presídios de segurança máxima. Comentaristas na TV discutem a falta de investimentos em segurança pública, a incompetência dos governos federal e estadual em cumprir com sua missão constitucional de defender a lei e combater o crime, e a imperiosa necessidade de impedir que os criminosos nos presídios utilizem telefones celulares para comunicar-se com seus comparsas fora das cadeias. E embora tudo isso tenha lá sua base na realidade, não passa de acessório. O tema central, a raiz do fenômeno assombroso que vemos, não é abordada ou comentada por ninguém. A cegueira é total.

A primeira coisa que precisa ser desmistificada é a própria natureza do PCC. Não se trata de uma organização criminosa; grupos criminosos têm como objetivo primordial obter lucro em atividades ilegais. Não é esse o objetivo central do PCC; se fosse, não estaria promovendo uma onda tão extensa e coordenada de atentados, que consome um volume expressivo de recursos, dinheiro e tempo para ser planejada e executada. Cada membro do PCC envolvido nessa operação é um membro a menos atuando nas atividades criminosas que geram receita, e a sua magnitude sugere que um vasto número de pessoas está envolvida. A onda de violência promovida pelo grupo não traz nenhum ganho financeiro, presente ou futuro, para o PCC. Se é assim, como podemos considerar essa organização apenas uma facção criminosa? Isso é minimizar de forma ingênua o poder e os objetivos do PCC. A atividade criminosa, para o PCC, é apenas um meio para um fim, não um fim em si mesmo. Esse fim, em verdade, é o que estamos testemunhando: implantar um reino de terror em São Paulo e no Brasil, e a debilidade dos governos municipal, estadual e federal oferece a oportunidade perfeita para isso. O PCC é, antes de mais nada, uma organização terrorista, e o crime é apenas o meio pelo qual ele financia suas atividades.

Se o objetivo do PCC é espalhar o terror, fica também evidente que existe uma agenda política. O terror é um instrumento daqueles que desejam o poder político, não financeiro; seu objetivo é sempre minar a confiança do público nas instituições e nas autoridades constituídas. E se o terror é o instrumento que o PCC usa para avançar sua agenda, ela é por definição política. Quando digo política, não me refiro necessariamente a um conteúdo ideológico, embora para mim as ligações entre o PCC e movimentos revolucionários de esquerda, como as FARCS colombianas (que também recorrem ao crime para financiarem suas atividades) sejam bastante claras (e desde a prisão de Fernandinho Beira-Mar evidências contundentes de uma conexão entre o crime organizado no Brasil e a guerrilha colombiana emergiram). Refiro-me, isso sim, a uma estratégia consistente, calculada e de longo prazo de erosão da autoridade do Estado e a construção de um centro de poder paralelo. O PCC não quer dinheiro, mas poder sobre a sociedade e domínio sobre as vidas dos cidadãos. Como esses dias de caos mostram, ele obteve sucesso.

É só uma questão de tempo para que a onda de violência reflua e tudo volte aparentemente ao normal; o governo de São Paulo declarará vitória sobre o crime e voltará à sua inatividade costumeira. O governo federal, depois de anos de incompetência crônica no trato do tema da segurança, não melhorará; nada acontecerá nesse front além das bravatas costumeiras e obviedades expostas como se fossem pérolas de inteligência. Os auto-denominados movimentos de defesa dos direitos humanos usarão a chance para tentar capitalizar politicamente com seu eterno discurso que procura tirar dos criminosos qualquer responsabilidade pelos atos que cometem e transformar os agentes da Lei em monstros. Mas enquanto a sociedade retoma sua rotina e os governos voltam aliviados ao seu confortável estado de inação, os subterrâneos do crime transformado em movimento político continuarão atuando e planejando, só que agora discreta e silenciosamente. O PCC ainda não tem os recursos necessários para sustentar uma longa onda de violência terrorista, e precisa de tempo para recompor suas reservas e recrutar mais tropas. Mas mais dia, menos dia, ele golpeará novamente, com mais força e disposição do que agora.

Conseguirá nossa combalida República, devorada por dentro pela corrupção e atacada pelos flacos por grupos políticos que não tem compromisso com a democracia ou com a Constituição, resistir a mais esse desafio à sua autoridade e legitimidade? Nestes dias de fúria, um passo importante no processo de colombianização do Brasil foi dado. Cabe a nós impedir que sigam-se outros. Mas enquanto as pessoas insistirem em não enxergar a real natureza e objetivos do PCC, não teremos chance de enfrentá-lo com sucesso.

14.4.06

 

O Impeachment Necessário

por Augusto De Franco, Folha de São Paulo

As oposições não querem. Antes, também não queriam. Agora, porque está muito perto das eleições. Antes, porque estava muito longe. Estão doidas para fazer campanha e avaliam que esse tema pode até atrapalhar os preparativos e a arrumação dos palanques. Tudo desculpa: é puro medo (de serem acusadas de golpismo), eleitoralismo (que confunde a popularidade de Lula com a sua legitimidade) e, no fundo, falta de compreensão do valor estratégico da democracia.

Eu sei. Nós sabemos. Mas, a rigor, não há como não iniciar um movimento pelo impeachment de Lula. Por quê? Por um simples motivo: porque Lula é o responsável pelo que está acontecendo, na medida em que nada fez para apurar os crimes de seus subordinados e punir os culpados. Deixou correr solta a bandidagem, banalizando o mal cometido por uma verdadeira quadrilha formada dentro do seu governo.

E a coisa chegou a tal ponto que está desconstituindo as instituições republicanas. Mesmo que Alckmin vença o pleito -o que é muito incerto-, mesmo assim, o prejuízo será irrecuperável no curto e no médio prazos.

Se forem dados a este governo mais nove meses de vida sem contestação ético-política da sua legitimidade, mesmo que Lula naufrague nas urnas, o processo corrosivo avançará.

Os oposicionistas que jogam água fria na conversa do impeachment dizem que a vida é assim mesmo, usando, por um lado, argumentos de sociologia política (baseados na análise das tais condições desfavoráveis, como se isso fosse ciência), e, por outro lado, aforismos retirados do livro bíblico da sabedoria: tudo passa, isso também passará. Com um novo presidente, teríamos novo céu e nova terra, e se recomporia rapidamente o tecido institucional (quer dizer, como num passe de mágica, o Congresso readquiriria sentido público, os tribunais superiores deixariam de ser defensorias do poder e a máquina administrativa, hoje inteiramente aparelhada, renasceria íntegra das cinzas).

Ora, quatro anos de infestação partidária, de alteração degenerativa do corpo e do metabolismo das instituições públicas e de perversão da política não podem ser consertados em pouco tempo, a não ser que haja uma ruptura contundente com as práticas anteriores, simbolizada pela punição e execração pública dos culpados por tantos delitos.

Ou seja, o ganhador da loteria eleitoral, mesmo que seja Alckmin, sobretudo depois de ter sobrevivido a mil e uma denúncias do PT (e elas virão como avalanche, aguardem), não poderá contar com alta dose de confiança. A credibilidade da "classe política" foi derruída a um ponto tal pelas práticas lulo-petistas e pela sua linha tática de defesa, ao disseminar a idéia de que todos são iguais no crime- que não há volta fácil. Não será trivial fazer o povo confiar novamente nas instituições da nossa democracia representativa.

Ademais, permanecendo impune, a quadrilha que se organizou no governo para assaltar o Estado brasileiro e falsificar o processo democrático continuará atuando (nos Estados e prefeituras eventualmente conquistados, nas organizações da sociedade aparelhadas, nos sindicatos e movimentos sociais que funcionam como linha auxiliar do partido) e infernizando a vida do vencedor. Darão o troco, fazendo aquilo que a oposição atual -tendo a lei do seu lado- não quis fazer por falta de coragem e de visão. Ou seja, arrumarão falsos pretextos para desestabilizar o novo governo.

Esse é o motivo pelo qual não basta vencer Lula eleitoralmente. É necessário derrotá-lo politicamente, quer dizer, derrotar as concepções e as práticas que refletem o seu projeto de poder. Só um movimento pelo impeachment teria força simbólica para sinalizar, para o conjunto da população, que o país mudou. Ocorreria algo semelhante àquele alto-astral que sucedeu ao impeachment de Collor, quando as pessoas começaram de novo a acreditar no Brasil, lavando a alma ao limpar o país da lama collorida.

O impeachment seria a melhor solução democrática, inclusive porque a menos traumática no médio prazo. Não havendo o impeachment -ou, que seja, ao menos um movimento pelo impeachment capaz de suscitar a emergência de uma opinião pública insurgente- e não havendo punição exemplar para os envolvidos, com a total defenestração dos aparelhadores do Estado, o próximo governo carregará, aí sim, uma herança maldita (porque autocrática) de proporções incalculáveis.

Isso, é claro, para não falar dos riscos da reeleição de um governante que, conquanto ainda tenha popularidade, não tem mais legitimidade. Deixá-lo concorrer nestas circunstâncias, promovê-lo a competidor legítimo depois de tê-lo poupado e mantido contra a lei e os bons costumes é um erro cuja conseqüência se abaterá sobre nós como uma bomba se, por acaso -o que não é difícil-, Lula tirar a sorte grande na loteria eleitoral que se avizinha.

5.4.06

 

Eu Não Me Faço de Rogado

Em artigo recente, Reinaldo Azevedo diz a respeito de Márcio Thomaz Bastos: "eu sentei aqui para escrever disposto a pedir a sua cabeça. Mas não peço." Bom, eu não me faço de rogado: quero sim a cabeça do ministro da (in)justiça. De preferência, em uma bandeja de prata.

Márcio Thomaz Bastos, para quem se lembra, é o pai do embuste de que o Valérioduto era formado apenas por "recursos não-contabilizados", sobras da campanha de Lula. A idéia era transformar um caso evidente de corrupção e uso ilícito da máquina estatal para comprar consciências em mero crime eleitoral (e já prescrito, e portanto, sem possibilidade de punição). O ministro é a figura sombria por trás do governo Lula, o hábil criminalista que usa tanto seu conhecimento jurídico notável como sua posição como chefe da Polícia Federal para de todas as maneiras desviar o foco das atenções de Lula e seus companheiros, criando factóides como a prisão dos Malufs (merecida, mas desnecessariamente pirotécnica) ou a invasão da Daslu. Se existe uma mente pensante no governo dedicada integralmente a manter Lula no poder, essa mente pertence a Márcio Thomaz Bastos. Isso por si só já seria motivo, ao meu ver, para que ele fosse fustigado sem dó nem piedade; mas a sua incompetência no combate à violência, o absurdo do referendo do desarmamento patrocinado por ele, e as suas declarações a favor de uma "acomodação constitucional" com o MST dão razões mais do que objetivas para que ele fosse demitido.

Mas agora surgem evidências de que o ministro tomou parte do hediondo caso da quebra do sigilo do caseiro Francenildo. Ou seja, temos ninguém menos do que o ministro da justiça envolvido na concepção e execução de um ato criminoso, violando barbaramente o Estado de Direito e a lei. Se isso for verdade, Márcio Thomaz Bastos não tem mais autoridade moral alguma para comandar o Ministério da Justiça.

Eu quero a cabeça de Márcio Thomaz Bastos. E já.

2.4.06

 

É uma vergonha!

Boris Casoy
Folha de S. Paulo
28/03/06

Jamais o Brasil assistiu a tamanho descalabro de um governo. Quem se der ao trabalho de esmiuçar a história do país certamente constatará que nada semelhante havia ocorrido até a gestão do atual ocupante do Palácio do Planalto. Há, desde o tempo do Brasil colônia, um sem número de episódios graves de corrupção e de incompetência. Mas o nível alcançado pelo governo Lula é insuperável.

Não se trata de um ou de alguns focos de corrupção. Vai muito além. Exibe notável desprezo pelas liberdades e pela democracia. Manipula a máquina administrativa a seu bel-prazer, de modo a colocar o Estado a favor de sua inesgotável sanha de poder. Um exemplo mais recente é a ação grotesca contra um simples caseiro, transformado em investigado por dizer a verdade depois de ser submetido a uma ação de provocar náuseas em qualquer stalinista.

Não se investiga o ministro Palocci, acusado de freqüentar um bunker destinado a operar negócios escusos em Brasília e de ter mentido a respeito ao Congresso. Tenta-se, a qualquer preço, desqualificar a testemunha para encobrir o óbvio. E o desespero da empreitada conduziu a uma canhestra operação que agora o governo pretende encobrir, inclusive intimidando o caseiro.

Do presidente da República, sob a escusa pueril de dever muito a Palocci (talvez pela conquista do troféu dos juros mais altos do mundo e pelo crescimento ridículo do PIB), só se ouve a defesa pífia dos que não conseguem dissimular a culpa. A única providência das autoridades federais foi um simulacro de investigação, com a cumplicidade da Caixa Econômica Federal. Todos os limites foram ultrapassados; não há como o Congresso postergar um processo de impeachment contra Lula. Ou melhor, a favor do Brasil.

O argumento para não afastar Lula, de que sua gestão vive os últimos meses, é um auto-engano! A proximidade das eleições faz com que o governo use e abuse ainda mais do poder. Desde o início, este governo é envolvido na compra de consciências, na lubrificação da alma de órgãos de comunicação por meio de gigantescas verbas publicitárias e de perseguir os que lhe negam aplauso.

Outro argumento usado para não afastar Luiz Inácio Lula da Silva é a sua biografia, a saga do trabalhador, do sindicalista que chegou a presidente. Ora, aquele metalúrgico já não existe há muito tempo. Sua legenda enferrujou. Foi tragado por sua verdadeira figura, submetido a uma metamorfose às avessas.

As razões legais para o processo de impeachment gritam no artigo 85 da Constituição, que versa sobre os crimes de responsabilidade do presidente. Basta ler os seguintes motivos constantes da Carta Magna para que o Congresso promova o processo de impeachment de Lula: atentar contra o livre exercício do Poder Legislativo, contra o livre exercício dos direitos individuais ou contra a probidade da administração. Seguem alguns exemplos ilustrativos.

No "mensalão", fato que Lula tentou transformar em um pecadilho cultural da política brasileira, reside um grave atentado contra o livre funcionamento do Congresso Nacional. A compra de consciências não só interferiu na vida do Poder Legislativo como também demonstrou a disposição petista de romper a barreira entre a democracia e o autoritarismo, utilizando a máxima de que os fins justificam os meios.

Jamais as instituições bancárias estatais foram tão agredidas. O Banco do Brasil teve seu dinheiro colocado a serviço de interesse escusos; a Caixa Econômica Federal também, demonstrando que o sigilo bancário de seus depositantes foi posto à mercê da pilantragem política.

No escândalo dos Correios, mais que corrupção, foi posto a nu, além do assalto aos cofres públicos, um cuidadosamente urdido esquema de satrapias destinado a alimentar as necessidades pecuniárias de participantes da mesma viagem. Como costuma acontecer nesses casos, o escândalo veio à tona na divisão do botim.

Causa perplexidade, também, a maneira cínica com que o governo tenta se defender, usando todos os truques jurídicos para criar uma carapaça que evite investigações de suspeitas gravíssimas em torno do presidente do Sebrae, o generoso Paulo Okamotto, pródigo em cobrir gastos do amigo Lula - sem que ele saiba. Aliás, ele nunca sabe de nada...

Lula passará à história, além de tudo, como alguém que procurou amordaçar a imprensa com a tentativa da criação de um orwelliano "conselho" nacional de jornalismo e com uma legislação para o audiovisual, que tentou calar o Ministério Público pela Lei da Mordaça e que protagonizou uma pueril tentativa de expulsar do país um correspondente estrangeiro que lhe havia agredido a honra.

Neste momento grave, o Congresso Nacional não pode abdicar de suas responsabilidades, sob o perigo de passar à história como cúmplice do comprometimento irreversível do futuro do país. As determinantes legais invocadas para o processo de impeachment encontram, todas elas, respaldo nos fatos.

Mas, infelizmente, na Constituição brasileira falta uma razão que bem melhor poderia resumir o que estamos assistindo: Lula seria o primeiro presidente a sofrer impeachment não apenas pela prática de crimes de responsabilidade mas também pelo ímpar conjunto de sua obra.

Boris Casoy, 65, é jornalista. Foi editor-responsável da Folha de 1974 a 76 e de 1977 a 84. Na televisão, foi âncora do TJ Brasil (SBT) e do Jornal da Record (Rede Record).

26.3.06

 

O Caseiro, o Poder e a Covardia

O pecado mortal de todos os esquerdistas de 1933 em diante consiste em pretender ser antifacistas sem ser antitotalitários.”

George Orwell

Quem é Francenildo dos Santos Costa? Até alguns dias atrás, nunca tinha ouvido falar dele. Ele é mais um na multidão: migrante do Nordeste, com pouca educação formal e que trabalha duro para sobreviver. Não conheço Francenildo, mas conheço muitos como ele. Francenildo não é um, é legião. A legião de Francenildos espalhada pelos quatro cantos do país é uma das faces verdadeiras, sem retoques, do Brasil.

Mas se Francenildo é mais um entre milhões, porque todo mundo conhece Francenildo e não, por exemplo, seu Loredo, o afável zelador do prédio onde moro? A diferença é que Francenildo tinha como patrão o segundo homem mais poderoso da República, e decidiu revelar, em um ato de suprema coragem, o que seu empregador fazia e para que a mansão de que cuidava era usada. Francenildo, um brasileiro qualquer, revelou (mais) um porão sujo e obscuro do regime lulista. Fez o país saber que muitas são as formas com que esse governo compra consciências, votos, e apoios, não apenas moeda sonante; já nos ensinava Cícero, em seu brilhante diálogo Saber Envelhecer, que “a volúpia corrompe o julgamento, perturba a razão, turva os olhos do espírito”. Não é surpresa que ela seja usada, desde tempos imemoriais, por governantes corruptos e sequiosos de poder para enfraquecer inimigos e domesticar aliados. Não é surpresa que ela seja usada agora.

Também não é surpresa que a primeira reação do governo seja transformar a testemunha em réu. Ao arrepio não apenas da lei, mas do mais básico entendimento do papel do governo no Estado de Direito, os asseclas do lulismo violam ilegalmente o sigilo bancário do brasileiro Francenildo. Conspurcam sua honra e seu nome. Para os arautos de futuros sombrios disfarçados de utopias gloriosas, os direitos de Francenildo não valem nada perto da preservação do regime e sua missão redentora. Pouco importa para eles que um governo que viola os direitos de um cidadão em nome de interesses particulares trai a essência mesma do mandado que lhe foi dado pelo povo, que é defender as liberdades de cada um e de todos os Francenildos. Mostram, mais uma vez, que para eles os fins justificam os meios, e violar a Constituição e jogar o Estado de Direito na lama são meios perfeitamente aceitáveis.

Que fique clara pois a mensagem dos detentores do poder: se Francenildo é um entre milhões, e pode ser tratado dessa maneira, qualquer um pode ser tratado da mesma maneira. Os direitos individuais só valem enquanto não ameaçam os interesses do poder. Ninguém tem direitos além dos que o governo conceder. Pressionado, o governo Lula mostra que a truculência e o autoritarismo são parte da sua natureza. Está inaugurado o regime de exceção.

E diante disso a intelectualidade esquerdista, que se gaba de ter lutado em nome da democracia e contra a ditadura, fica calada. Parece que, para certa esquerda, a violação dos direitos individuais só é condenável quando feita por seus adversários. Pergunto-me se as Marilenas Chauís da vida estariam em silêncio se Francenildo fosse um militante do Partido dos Trabalhadores e o governo de plantão, de algum dos seus opositores.

7.1.06

 

Se Falta de Vergonha na Cara Matasse...

... Lulla e seus comparsas de partido já estariam fulminados no chão. Felizmente para o Supremo Apedeuta e companhia, falta de vergonha não mata; é apenas mais um aspecto da absoluta falta de caráter.

O tema já circulava a boca pequena em Brasília há algum tempo, mas agora ficou oficial: Lulla quer indicar dois petistas para ocupar posições que estão vagando no Supremo Tribunal Federal. Os nomes não poderiam ser piores: Luiz Eduardo Greenhalgh (que tem na sua biografia o caso Lubeca, antepassado distante do valérioduto, e também o caso Santo André, onde apesar de todas as evidências em contrário, ele defendeu desde o começo a tese do crime comum), e Tarso Genro (que além de ex-presidente do PT, é conhecido por suas interpretações "criativas" da lei e da Constituição, como quando pediu, menos de 20 dias depois da posse de FHC no seu segundo mandato, a renúncia do presidente e a antecipação das eleições). É um caso típico de colocar as raposas para proteger o galinheiro.

Esse é mais um exemplo da absoluta falta de comprometimento de Lulla e sua laia com a democracia e com os mais básicos princípios do respeito à ética. Como pode um presidente da República indicar para a corte mais alta do país dois homens que, além comprometidos até o pescoço com um partido político, estão também comprometidos com o maior escândalo de corrupção da história deste país?

Caso Lulla leve essa sandice adiante, as eventuais indicações de Genro e Greenhalgh precisam que ser aprovadas pelo Senado, onde a oposição tem maioria. Tomara que pelo menos dessa vez ela tenha hombridade suficiente para barrar os sonhos do PT e de Lulla de aparelhar todo e qualquer espaço que exista no governo, com o objetivo de perpetuar-se no poder indefinidamente. Já que ela não tem a coragem de pedir o impeachment...

Reinaldo Azevedo, como sempre, manda bem a respeito do caso. Seu artigo, "Tarso e Greenhalgh, as “Adelitas” do Supremo", vale a pena ler.

5.1.06

 

Um Balanço de 2005

O ano de 2005 poderia entrar para a história como o ano em que as ilusões foram desmascaradas, os santos de barro viram seus pés derreterem, a mentira mostrou que tem pernas longas mas inevitavelmente tropeça em algum ponto do caminho. Infelizmente, também foi o ano que mostrou que muita gente está disposta a continuar acreditando nas mesmas ilusões mistificadoras, adorando os mesmos santos e contando as mesmas mentiras, e que é muito fácil trocar as falsidades desacreditadas por versões novas da mesma velha lorota.

Artigo completo no Livre Pensamento.

2.12.05

 

O Mapa da Mina

Do site do jornalista Diego Casagrande:

O MAPA DO DESVIO DE DINHEIRO
02.12, 09h33

por Ugo Braga, Letícia Sander, Denise Rothenburg e Lúcio Lambranho, do Correio Braziliense
O deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), sub-relator designado pela CPI dos Correios para coordenar as investigações sobre os fundos de pensão, conseguiu mapear em detalhes o desvio de dinheiro nessas instituições. As irregularidades ocorreram nos mercados futuros e de títulos públicos. Grande parte das corretoras de valores envolvidas está identificada, bem como os valores que cada uma obteve do patrimônio dos fundos. A maior surpresa: ACM Neto descobriu esquemas comprometedores contra o governo Lula, mas também contra o governo Fernando Henrique Cardoso.

Na última semana, o parlamentar procurou as direções de seu próprio partido, o PFL, e do PSDB, avisando que o relatório parcial a ser apresentado na próxima terça-feira chamuscará também a ambos. O senador Tasso Jereissati (CE), presidente nacional do PSDB, ouviu de ACM Neto um relato com alguns detalhes da investigação. Pessoas próximas dele dizem que ficou “horrorizado”.


Comentário meu: horrorizados, senador, estamos todos nós, pagadores de impostos lembrados apenas a cada quatro anos pelos políticos que governam este país, tanto com a máfia montada pelo PT no poder como com a inoperância das chamadas "oposições", incapazes de fazer aquilo que têm o dever de fazer e pedir o impeachment de Lula. Se as denúncias pegarem o PSDB e o PFL, tanto melhor: o senador deve concordar que esse deve ser um preço pequeno a pagar para, como nas palavras do senador Bornhausen, tirar essa corja do poder pelos próximos 30 anos, não? Oposições: se vocês querem ganhar em 2006, joguem o peso morto da malandragem passada fora, cortem na carne, e se apresentem purificadas diante do eleitor. Senão, podem acabar indo cuidar dos gerânios no jardim junto com Lula e cia.

20.11.05

 

O que é Resistir Democraticamente

O objetivo do “Final de Campeonato” é defender a resistência democrática ao governo Lula. As razões são óbvias para qualquer um que acompanhe, mesmo que só de vez em quando, as notícias, mas podem ser resumidas da seguinte forma:

1) O governo Lula, eleito com mais de 53 milhões de votos, usou da confiança que lhe foi concedida pelo eleitorado para construir o mais vasto e pernicioso sistema de corrupção que este país já viu. O sistema já existia antes da eleição de 2002, nas prefeituras petistas no interior paulista, e foi transplantado de forma planejada para a administração federal. A isso somou-se todo tipo de irregularidade administrativa e crime fiscal, financeiro e tributário, inclusive o recebimento pelo PT de dinheiro vindo do exterior. Isso constitui uma quebra inadmissível do pacto de confiança entre governantes e governados que rege qualquer governo civilizado;

2) O governo Lula, não satisfeito em saquear o país de forma jamais vista, procura ativamente abafar as investigações e criar um clima de luta de classes no país. Moralmente impedido de governar, Lula e seus asseclas insistem em tentar acusar a oposição de ter inventado as denúncias e clama que um “golpe das elites” estaria em curso. Isso é não apenas completamente absurdo, mas um insulto a todos os brasileiros, que os atuais ocupantes do Planalto parecem considerar ser formada apenas por idiotas;

3) A oposição partidária, apesar de ter recebido o mandato popular de fiscalizar e controlar o governo Lula em 2002, parece incapaz (ou sem vontade) de cumprir seu papel a contento e seguir adiante com aquilo que seria a única coisa digna a se fazer diante da gravidade das denúncias: pedir o impeachment de Lula. A oposição age assim por duas razões: ela também tem o rabo sujo e não deseja ver seus podres expostos em uma eventual devassa do governo Lula, e calcula que é capaz de vencer as eleições em 2006 se mantiver Lula sangrando até lá. O fato de que essa estratégia implica em deixar o país a mercê da gangue que hoje ocupa o Planalto por mais um ano parece não passar pela cabeça de tucanos e pefelistas.

Diante desse quadro, o que resta ao cidadão comum? Resistir. Denunciar o tempo todo o que está acontecendo, sem medo. Criticar o governo (e também a oposição) sempre que tiver oportunidade: em conversas com amigos e familiares, em debates públicos, na internet, no trabalho. É cuspir no chão cada vez que alguém pronunciar o nome de Lula. É exorcisar todo e qualquer pensamento inspirado pelo petismo e pelo lulismo da cabeça. É rejeitar a lógica da corrupção e da bandalheira que tomou conta do país e agir, na sua vida privada e pública, de forma correta e honesta. É defender a lei quando aqueles que tem a obrigação institucional de fazê-lo não o fazem. É ensinar aos filhos que hoje este país é governado por ladrões, mas que não foi sempre assim e que voltaremos a ser governados por gente com um mínimo de seriedade.

Resistir democraticamente, na atual conjuntura, é erguer uma vela de esperança e honestidade na escuridão da corrupção e do aventurismo que tomaram conta deste país. Sozinho, nenhum de nós é capaz de mudar nada; mas juntos, somos legião.

15.11.05

 

Pôr fim ao governo Lula

Excelente artigo do Roberto Mangabeira Unger. Não vou com os cornos dele, acho que ele não sabe muito bem do que fala quando apita sobre economia, mas desta vez ele está inteiramente correto.


Pôr fim ao governo Lula

Roberto Mangabeira Unger, Folha de São Paulo (15/11/05)

Afirmo que o governo Lula é o mais corrupto de nossa história nacional. Corrupção tanto mais nefasta por servir à compra de congressistas, à politização da Polícia Federal e das agências reguladoras, ao achincalhamento dos partidos políticos e à tentativa de dobrar qualquer instituição do Estado capaz de se contrapor a seus desmandos.

Afirmo ser obrigação do Congresso Nacional declarar prontamente o impedimento do presidente. As provas acumuladas de seu envolvimento em crimes de responsabilidade podem ainda não bastar para assegurar sua condenação em juízo. Já são, porém, mais do que suficientes para atender ao critério constitucional do impedimento. Desde o primeiro dia de seu mandato o presidente desrespeitou as instituições republicanas. Imiscuiu-se, e deixou que seus mais próximos se imiscuíssem, em disputas e negócios privados. E comandou, com um olho fechado e outro aberto, um aparato político que trocou dinheiro por poder e poder por dinheiro e que depois tentou comprar, com a liberação de recursos orçamentários, apoio para interromper a investigação de seus abusos.

Afirmo que a aproximação do fim de seu mandato não é motivo para deixar de declarar o impedimento do presidente, dados a gravidade dos crimes de responsabilidade que ele cometeu e o perigo de que a repetição desses crimes contamine a eleição vindoura. Quem diz que só aos eleitores cabe julgar não compreende as premissas do presidencialismo e não leva a Constituição a sério.

Afirmo que descumpririam seu juramento constitucional e demonstrariam deslealdade para com a República os mandatários que, em nome de lealdade ao presidente, deixassem de exigir seu impedimento. No regime republicano a lealdade às leis se sobrepõe à lealdade aos homens.

Afirmo que o governo Lula fraudou a vontade dos brasileiros ao radicalizar o projeto que foi eleito para substituir, ameaçando a democracia com o veneno do cinismo. Ao transformar o Brasil no país continental em desenvolvimento que menos cresce, esse projeto impôs mediocridade aos que querem pujança.

Afirmo que o presidente, avesso ao trabalho e ao estudo, desatento aos negócios do Estado, fugidio de tudo o que lhe traga dificuldade ou dissabor e orgulhoso de sua própria ignorância, mostrou-se inapto para o cargo sagrado que o povo brasileiro lhe confiou.

Afirmo que a oposição praticada pelo PSDB é impostura. Acumpliciados nos mesmos crimes e aderentes ao mesmo projeto, o PT e o PSDB são hoje as duas cabeças do mesmo monstro que sufoca o Brasil. As duas cabeças precisam ser esmagadas juntas.

Afirmo que as bases sociais do governo Lula são os rentistas, a quem se transferem os recursos pilhados do trabalho e da produção, e os desesperados, de quem se aproveitam, cruelmente, a subjugação econômica e a desinformação política. E que seu inimigo principal são as classes médias, de cuja capacidade para esclarecer a massa popular depende, mais do que nunca, o futuro da República.

Afirmo que a repetição perseverante dessas verdades em todo o país acabará por acender, nos corações dos brasileiros, uma chama que reduzirá a cinzas um sistema que hoje se julga intocável e perpétuo.

Afirmo que, nesse 15 de novembro, o dever de todos os cidadãos é negar o direito de presidir as comemorações da proclamação da República aos que corromperam e esvaziaram as instituições republicanas.

do E-agora.org.br

13.11.05

 

E o Aparelhamento do Estado Continua…

Da coluna de ontem (12/11/05) do jornalista Cláudio Humberto:

Lula quer Tarso Genro no STF
O governo desistiu da emenda que elevaria de 70 para 75 anos a idade-limite de ministros do Supremo Tribunal Federal e tribunais superiores. O presidente Lula optou pela chance de nomear o substituto do ministro Carlos Veloso, que completará 70 anos em 19 de janeiro e se aposentará. O favorito é Tarso Genro, ex-ministro da Educação e ex-presidente do PT. Será o quinto ministro (de um total de onze) nomeado por Lula para o STF.


Como dizia minha avó, árvore que nasce torta nunca se endireita. Pego com a mão na botija, com seus acessores mais próximos (Dirceu, Polocci, Gushiken) ou torpedeados ou em vias de naufrágio, Lula continua pensando a República da mesma forma, desde o começo do mandato: como se fosse um clube privado de amigos, onde o único requisito para ganhar uma boquinha é a amizade com o chefe.

O STF é o guardião da ordem constitucional do país. A indicação de novos ministros para o STF é prerrogativa do Presidente da República, claro, e não é exatamente inesperado que ele queira colocar gente de sua confiança na corte suprema do país. Mas existem limites não-escritos para essa prerrogativa, que nenhum presidente ousa cruzar levianamente (nas monarquias absolutas, eram chamados de "leis consentudinárias"). A tradição, a lei não-escrita, diz que não há problema em indicar um político (mesmo de origem partidária) para ser ministro do STF; no entanto, ele deve ser alguém que é também minimamente respeitado por seus novos pares e pelos magistrados em geral. Deve ter uma história limpa, e uma reputação de independência (mesmo que as simpatias partidárias existam). Ou seja, deve ser alguém de quem se pode, razoavelmente, esperar um mínimo de equilíbrio e respeito pela Constituição.

Podemos realmente imaginar que o sr. Tarso Genro preenche esses requisitos não-escritos?

Tarso Genro é, e sempre foi, um dos grandes ideólogos do PT. Apenas onze dias depois da posse de FHC para seu segundo mandato, Tarso Genro pedia em colunas de jornal a sua renúncia, ignorando solenemente a vontade popular expressa nas urnas. Foi ministro da educação do governo Lula, pai de uma proposta de reforma universitária que poderia ter sido elaborada pela KGB, tamanho o seu viés stalinista e ideológico. Foi presidente interino do PT por indicação direta de Lula; durante sua gestão, não apenas ninguém foi punido pelos escândalos que envolvem a antiga diretoria do partido, como ainda entrou em voga o discurso do "golpe das elites" contra Lula (como se os escândalos em série que vemos não fossem reais, mas apenas maquinação da oposição). Sua proposta de "refundação" do PT resultou na perpetuação do grupo comprometido com o mensalão no controle do partido, na pessoa do também ex-ministro Ricardo Berzolini; Tarso, como bom soldado do partido, engoliu suas propostas e aceitou a "nova" linha do comando como se nada tivesse acontecido. É esse o homem que Lula quer indicar para o STF?

Lula continua achando que indicar os amigos e "companheiros" que tenham perdido disputas internas no partido é uma boa forma de governar o país. Seu ministério é uma coleção de derrotados eleitorais do PT; os orgãos federais estão atulhados de petistas que têm como única qualificação uma carteirinha de membro do partido. Não satisfeito em aparelhar o Executivo e avançar com ofertas expúrias de dinheiro sobre o Legislativo, Lula quer agora aparelhar também o Judiciário. Que tipo de isenção podemos esperar de Tarso Genro como ministro do STF? Entre a Constituição e os interesses do partido, podemos realmente imaginar que Tarso Genro ficaria com a primeira?

Isso é mais uma prova de que o governo Lula representa a tomada de assalto do Estado por uma quadrilha privada. As fronteiras entre o público e o privado foram obliteradas, e o partido e o governo são tratados como se fossem uma coisa só. Isso não é apenas falta de republicanismo; é falta de vergonha na cara mesmo.

Cada dia a mais que Lula fica no poder, a democracia brasileira sai mais contundida, lacerada, cheia de hematomas. Será que ela sobrevive ao espancamento por mais um ano? E por mais cinco?

 

Pelo amor de Deus! Entendam a gravidade da situação em que vivemos

Por Augusto de Franco, 13/11/05
Fonte: www.e-agora.org.br

Enquanto os jornais dos dois últimos dias revelam fortes indícios de que Lula agiu diretamente contra a prorrogação da CPI dos Correios (vejam a matéria de Eduardo Scolese e Pedro Leite, na Folha de S. Paulo de ontem), analistas, colunistas políticos e líderes oposicionistas ficam discutindo (e, incrível, até tomando partido) na “briga” Palocci x Dilma. É muita falta de foco.

A suposta “briga” entre o ministro da Fazenda e a ministra-chefe da Casa Civil não tem a menor relevância no momento atual. Essa briga já existia. Nos últimos tempos não há governo em que ministros políticos que querem gastar o orçamento fazendo coisas não briguem com a área econômica que quer economizar (chega a ser ridículo dito assim), por razões óbvias e, quase sempre erradas – ou seja, é uma disputa em que ambas as partes, em geral, têm razão – o que significa, no caso, dizer que todos estão errados.

Mas não vamos entrar aqui na controvérsia sobre o tamanho do superávit fiscal versus os sempre julgados tão necessários investimentos estatais para promover o desenvolvimento e blá, blá, blá.

O problema é que o país está nas mãos de um grupo privado cujo chefe não pode continuar – simplesmente não pode continuar – agindo como está.

Não sei se me faço entender. Vou tentar explicar novamente. Pela milésima vez: não estou falando do impeachment. Não sou tão boboca a ponto de acreditar na lorota inventada pelas oposições (notadamente pelo PSDB e pelo PFL), segundo a qual ou é o impeachment (para o qual não há condições e, sem condições, seria uma irresponsabilidade propô-lo) ou não é nada (a não ser encaminhar as conclusões das CPIs para a justiça e ficar esperando sentado as providências que... jamais virão).

Estou falando que o presidente e o seu ministro da Fazenda (ao que tudo indica mais responsável do que se julgou pelas operações ilegais que redundaram nisso tudo que estamos vendo) não podem continuar sendo poupados. Não estou falando do impeachment, entenderam? Outra vez, perdão caro leitor: não estou propondo o impeachment. Estou dizendo que Lula deve ser interpelado, agora e não amanhã, hoje e não nas urnas de 2006.

Interpelado para quê e por quê? Interpelado, denunciado, chamado a depor sobre o seu envolvimento (e o do seu governo) na promoção dos crimes e irregularidades e, sobretudo, agora, na obstrução das investigações. Lula não pode continuar se comportando como chefe de um bando. Ele é o presidente da República e não o comandante de uma facção envolvida em uma guerra entre grupos privados. Ou ele assume a posição de magistrado, ou – aí sim – deve ser instado a deixar a chefia do governo e do Estado. O que não pode é Lula continuar agindo assim, mentindo à nação e interferindo para abafar os escândalos e nada acontecer. E as oposições, por medo de alguma coisa (talvez de ordem sobrenatural, já que os mortais comuns não conseguem perceber o que seja) prosseguirem irresponsavelmente fingindo que tudo bem, aceitando um jogo que não faz parte da vida republicana.

Entrar em qualquer disputa colocada pelo governo ou dentro do governo é a maior burrice que a oposição pode cometer. Antes era a briga de Dirceu contra a área econômica. Agora é a Dilma. Essa pauta pode interessar aos economistas mas não interessa ao país, não, pelo menos, neste momento.

O PT sempre tentou – e, em grande parte, conseguiu – fazer com que os seus adversários fossem capturados para dentro do mundinho que criou para si, assumindo, sem se dar conta, suas regras como normas válidas e reproduzindo suas controvérsias particulares como se fossem assuntos de interesse comum. E os basbaques quase sempre caíram na esparrela.

Ora, não nos interessa – aos democratas brasileiros – a vida interna do PT. São assuntos privados.

O PT privatizou tanto a vida política nacional que consegue privatizar inclusive a disputa das idéias, pautando a cena pública com seus assuntos. Muitas vezes uma controvérsia interna era urdida pelo PT com o simples propósito de levantar a bola na entrada da área para Lula chutar. Então lá vinha ele com alguma decisão salomônica e apaziguava os ânimos, reafirmando sua liderança supostamente acima dos conflitos.

Sim, gostaríamos que Lula tivesse tal comportamento em relação às questões públicas, não de mentirinha, mas para valer mesmo. Gostaríamos que ele não se metesse nas investigações em curso, que seguem o ritmo constitucional previsto. Gostaríamos que ele tentasse salvar o que resta da sua biografia adotando uma postura de estadista.

Sabemos que Lula não fará isso. Por isso precisamos interpelá-lo formalmente. Precisamos denunciá-lo dentro e fora do país. Lula não pode se comportar como quem comanda uma guerra interna em um país que não está em guerra civil. Não pode transformar o Palácio do Planalto em um bunker para coagir oposicionistas e comprar aliados às vésperas de decisões que podem prejudicar suas pretensões privadas, individuais ou grupais, de poder.

Quando um presidente faz isso, ele perde completamente a legitimidade que obteve nas urnas, não importa o número de votos que obteve e o número dos que ainda pretendem apoiá-lo em uma próxima eleição. Quando um presidente faz isso ele se coloca fora do campo do diálogo democrático e investe no derruimento das instituições.

Esse é o ponto. Se a política for transformada numa guerra e se o chefe de governo e do Estado se comporta como chefe de uma facção beligerante, então ele não é mais o chefe do governo e do Estado (de todos) e sim o chefe de um aparelho governamental privatizado e de um ‘Estado paralelo’ (de alguns) que criou ou pretende criar.

Não há – como repetem tolamente certos analistas políticos – uma guerra entre PT e PSDB (e PFL e demais partidos oposicionistas) ou entre governo e oposição. O que há é um presidente que ao invés de se comportar como chefe de governo se comporta como chefe de um grupo. O que há é um governo (e um partido que dele se apossou) que instaurou a maior operação de aparelhamento já vista na história recente e que lançou mão de meios criminosos em larga escala para falsificar o processo democrático às custas do roubo de recursos públicos visando a se perpetuar no poder. A oposição protesta, esperneia, como é seu dever, mas não constitui um outro pólo de poder nesse confronto. Eis uma situação esdrúxula e perigosíssima para a democracia: é como se houvesse dualidade de poder sem que um dos pólos tivesse poder, o que serve apenas para prorrogar o poder de quem já o detém.

Pelo amor de Deus! Entendam a gravidade da situação em que vivemos.

12.11.05

 

Quem Deve, Teme

É óbvio que o governo não queria a prorrogação da CPI dos Correios. Afinal de contas, é ela que está desvendando os caminhos do dinheiro do Valérioduto; e ainda pode acabar gerando uma nova lista de sacadores ou beneficiários do esquema, com todas as consequências que isso pode trazer. O governo têm, óbviamente, medo.

O que ele não tem, obviamente, é um pingo sequer de decência. O PT e seus aliados atuaram para impedir a prorrogação da CPI poucos dias depois do Supremo Apedeuta, em entrevista no Roda Viva, dizer que não apenas não interferira ou interferiria nas investigações, como que as apoiava integralmente. Das duas, uma: ou Lula, para variar só um pouquinho, não sabe de nada (aliás, será que ele sabe que é Presidente da República?) e o PT e aliados agiram por conta própria no Congresso, ou ele mentiu descaradamente no Roda Viva, e não tem o menor pudor de deixar isso óbvio e transparente para a sociedade brasileira. Deixo aos leitores decidir qual hipótese parece mais provável…

“Sigam o dinheiro”, já dizia o Garganta Profunda, personagem central no famoso escândalo de Watergate, que derrubou o presidente americano Richard Nixon. É isso que precisa ser feito. E é isso que o governo mais teme.

10.11.05

 

O Dinheiro Cubano: Por Que o Espanto?

Confesso que não entendo o espanto e descrença com que uma parcela significativa da imprensa e da opinião pública recebeu as recentes denúncias da revista Veja sobre o recebimento, pelo Partido dos Trabalhadores, de dinheiro vindo de Cuba para ajudar a financiar a campanha de 2002. Porquê o espanto, meus caros?

É natural e saudável que qualquer denúncia, não importando quão grave, seja tratada com algum grau de ceticismo, em qualquer situação. Pessoas cometem erros, mentem, oferecem versões parciais ou viesadas dos fatos. Jornalistas não são melhores ou piores que qualquer um, e podem sim lançar denúncias sem fundamento; a história recente da imprensa brasileira está repleta de casos desse tipo, como o famoso escândalo da Escola Base (que depois provou-se ser totalmente fantasioso, mas que arruinou a vida de muita gente). Mas existe uma diferença entre analisar ceticamente uma denúncia, em busca de eventuais inconsistências ou fragilidades que comprometam a sua veracidade, e simplesmente desqualificá-la como absurda sem maiores análises. O que têm sido feito com a denúncia do dinheiro cubano é precisamente o segundo caso.

Os argumentos usados para desqualificar a matéria da Veja são tão primários quanto, supostamente, os detratores da revista dizem ser a matéria que ela publicou. Uns dizem que o governo cubano nunca participaria de uma operação “tão amadora”, digna de filmes de espionagem mas fantástica demais para ser real. Mas fantástica demais por que? Dinheiro cubano escondido em caixas de rum e whisky seria por algum acaso menos fantástico do que dólares escondidos em cuecas, malas de dinheiro transitando em aviões particulares, pagamentos a deputados em quartos de hotéis, ou entrevistas de um Presidente da República no exterior confirmando uma versão dos fatos que só viria à tona mais de 24 horas depois da gravação? O escândalo atual nos presenteou com todos esses episódios, concretos e comprovados. Antes deste escândalo, se alguém dissesse que o PT transportava dólares na cueca de seus assessores, alguém acreditaria? Acusar uma denúncia de ser fantástica demais, no atual estágio das coisas, é sofrer de memória seletiva e esquecer de todos os demais episódios, igualmente fantásticos, que o país testemunhou nos últimos meses.

Outros dizem que essa denúncia é uma reedição da supostamente fantasiosa história do “Ouro de Moscou” dos tempos da Guerra Fria. Ora, mas não existe nada de fantasiososo aí: o Ouro de Moscou existiu sim, com numerosas organizações comunistas em todo o mundo recebendo dinheiro da União Soviética para levar adiante a luta pela causa do comunismo. O próprio PCB brasileiro, nos anos 30 e 40, recebia dinheiro de Moscou. A descoberta disso levou à cassação do registro do partido em 1946, já em pleno regime democrático. O Ouro de Washington também existiu; ambos os lados financiaram, em todo o mundo, seus aliados na luta ideológica. E Cuba, como posto avançado do regime soviético nas Américas, sempre desempenhou um papel importante nesse processo. É curioso que aqueles que denunciam o financiamento subterrâneo da esquerda pela URSS ou Cuba como fantasioso não têm o menor problema em aceitar como verídico o mesmo comportamento quando atribuído aos EUA. Cegueira ideológica seletiva talvez?

Por fim, se diz que Cuba passa por grandes privações e não teria dinheiro para financiar o PT no Brasil. Ora, Cuba tem passado por grandes privações desde o dia em que o regime de Fidel Castro tomou controle da ilha, e isso não impediu que “El Comandante” aparecesse na lista da revista Forbes como um dos líderes políticos mais ricos do mundo, com uma fortuna estimada em cerca de 500 milhões de dólares; a questão não parece ser de escassez de recursos, mas de como o líder cubano decide utilizá-los. Afinal de contas, a exportação da revolução sempre foi uma prioridade do seu regime; com todas as suas dificuldades econômicas, Cuba participou ativamente da Guerra Civil Angolana, treinou e armou grupos guerrilheiros na América Central, apoiou os sandinistas da Nicarágua, recebeu de braços abertos líderes e militantes da esquerda perseguidos em seus países natais, e ativamente incitou movimentos guerrilheiros na América Latina e na África. Che Guevara não estava de férias na Bolívia quando morreu. E se isso tudo era possível, em boa medida, graças aos volumosos subsídios que Cuba recebia da União Soviética, é também forçoso reconhecer que Cuba conseguiu encontrar fontes alternativas de renda para sustentar seu regime, como a abertura ao turismo, a melhoria dos preços do açúcar no mercado internacional e, não menos importante, um novo patrono na forma de Hugo Chávez, que comanda a sua Revolução Bolivariana na Venezuela sentado sobre uma montanha de petrodólares. Se Cuba já fez coisas muito mais sérias (e fantásticas) antes, por que não poderia fazer agora?

Por fim, todos esses argumentos ignoram o fato de que Cuba não precisa, necessariamente, ser a origem do dinheiro; o regime de Fidel pode ser simplesmente um testa de ferro. O dinheiro pode ter vindo, por exemplo, de Hugo Chávez, ou de alguma organização de esquerda internacional. Impossível? A CPI da Terra já levantou que o MST, por exemplo, recebeu mais de 30 milhões de dólares de doadores no exterior. A esquerda têm uma longa tradição de internacionalismo e suporte mútuo, cristalizado nas suas várias organizações multinacionais, como as Internacionais Socialistas eo nosso conhecido Foro de São Paulo. Se o MST recebeu dinheiro do exterior, por que não poderia o PT também receber? Não é sequer impossível descartar a hipótese de que o dinheiro seja do próprio PT, enviado ilegalmente para o exterior em algum momento no passado e agora internalizado com a ajuda de Cuba.

O fato é que, uma vez descartados os frágeis argumentos dos que querem jogar a denúncia do dinheiro cubano fora sem investigá-la, as evidências apresentadas pela revista permanecem. Rogério Buratti confirmou seu testemunho; o proprietário do avião supostamente utlizado confirmou tê-lo emprestado a gente do PT, e o aparelho efetivamente realizou uma viagem de Brasília para Campinas nas datas indicadas pela Veja; o piloto do avião confirmou o vôo e o transporte das caixas de bebidas, embora ressalve que nunca viu dinheiro nenhum; e o motorista do carro blindado que teria supostamente levado as caixas para o diretório central do PT confirma a história, embora agora recuse-se a falar com a imprensa. O caso todo pode até se revelar fantasioso no fim, mas não é possível ignorar tantas evidências circunstanciais e descartar a denúncia sem uma investigação aprofundada.

E quanto às declarações enfáticas do presidente Lula de que o caso todo é fantasioso, fica a pergunta: se ele não sabia de nada sobre o mensalão, se ele diz que foi traído, e que tudo foi tramado debaixo das suas barbas sem seu conhecimento, como ele pode ter tanta certeza de que esse episódio específico não é também parte da “traição” que sofreu? Se Lula não sabia de nada sobre os outros casos, como ele sabe alguma coisa agora?

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